terça-feira, 7 de julho de 2009

Banco Alimentar Contra a Fome


















Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, tem 49 anos e é ela quem gere o banco alimentar contra a fome, apesar de desejar que este nem sequer existisse.
Para já está previsto que abram mais 3: Viseu, Viana do Castelo e talvez em Angra do Heroísmo. Actualmente existem 15 Bancos Alimentares contra a fome e alimentam 2.5% da população Portuguesa, cerca de 250000 Portugueses dependem hoje do BA contra a fome para sobreviverem.
Isabel Jonet deu este mês uma entrevista à revista exame, vou-vos deixar com as perguntas e respostas que na minha opinião foram as mais relevantes.



P:De que forma esta conjuntura se reflecte na recolha diária de alimentos ?

R: A ideia está nos genes dos bancos alimentares, é ir buscar onde sobra para entregar onde falta. Aquilo que fazem desde 1992 quando surgiu o 1º em Lisboa, é ir á indústria agro-alimentar, às cooperativas agrícolas.... Pedimos que nos dêem os excedentes de produção, e assim as empresas poupam espaço de armazenagem, custos de distribuição, e ainda podem ter benefícios fiscais, pois ficam isentas de IVA e podem reduzir em sede de IRC, em 140%. No fundo há uma RELAÇÃO WIN-WIN.


P:Como convence os líderes das grandes empresas a aderir a esta causa ?

R:Há casos como o do grupo Jerónimo Martins, que tem uma responsabilidade social ímpar e reconhece que BA Contra a Fome representa até um parceiro importante, oferecendo anualmente ao BA bastantes produtos, nomeadamente azeite e atum. È a cadeia que tem reconhecido mais a importância do BA.


P:Os Gestores de topo também se oferecem como voluntários ?

R:Temos muitos gestores de topo voluntários e temos várias empresas que propõem a campanha aos seus funcionários como acção de voluntariado e de team building. É o caso de várias sociedades de advogados, a seguradora Tranquilidade, e o grupo Banco espírito Santo e outras.


P:O que é que a crise profunda pode ensinar aos executivos ?

R:Se as pessoas forem inteligentes - e isso inclui todas, desde governates a empresários-, apesar de todas as crises serem momentos dolorosos, que implicam algum ajustamento, devem e podem ser oportunidades de emendar a mão. Acho que, neste momento, todas as empresas que nao são viáveis devem encerrar.... Há anos que o sistema produtivo está morto. Existem poucas empresas, algumas são pequenas e médias e estão mal organizadas, e não tem havido empresários de mão cheia, daqueles que percebem que GERAR RIQUEZA NÃO È GANHAR DINHEIRO, MAS É CRIAR EMPREG E RIQUEZA PARA OS NOSSOS FILHOS PARA OS NOSSOS NETOS.... Acredito no génio humano e vai ser ele o motor da mudança, da actual crise, que é mundial. È urgente arrumar a casa para estarmos preparados quando a retoma chegar.


P:Temos uma cultura da preguiça e do encosto, em Portugal ?

R: Sim temos uma cultura de encosto, que é muito pior do que a da preguiça, e não pode ser. Neste momento, pessoas que estão desempregadas passam por uma coisa tremenda, é que não Têm esperança de vir a arrannjar um emprego... Quando vejo estas manifestações no bairro da Quinta da Fonte, no bairro da Quinta da Bela Vista, no bairro do Aleixo, e noutros bairros sociais fico preocupada. Hoje são coisas pontuais, mas receio que se venham a multiplicar. Estes bairros, com muitos pobres sem emprego e sem esperança, são barris de pólvora. Tem de se ocupar estas pessoas.


P:Gerir o BA é como gerir uma grande empresa. O que a preocupa mais na gestão diária?

R:Tem de se manter o rigor. O grande desafio, mas que também é um gozo diário, é conseguir ter uma gestão profissional com voluntários. Eu sou voluntária.


P:São todos voluntários, sem excepção?

R:Não, Há uma estrutura assalariada, mas tão reduzida quanto possível. No BA Contra a Fome de lisboa há 11 pessoas assalariadas, três das quais são de limpeza. No conjunto dos 15 BA são 38. Ao mesmo tempo, têm todos os dias, mais de 350 voluntários. E nunca há pessoas assalariadas em lugares de topo. O nosso ADN é voluntário.


P: Mas sendo todos voluntários, como é que se pode exigir da mesma maneira como se fossem assalariados ?

R:Essa é precisamente a motivação deles: exigimos igual ao que exigiríamos a qulquer pessoas que recebesse um salário. Os voluntários passam por uma entrevista igual a qualquer entrevista de emprego, porque é uma entrevista para trabalho, só que não remunerado.... Estas pessoas assumem um compromisso connosco e com a sociedade. Podem dar oito hiras por dias ou três horas por semana, mas a instituição passa a contar com esse tempo. A grande motivação é o comprometimento... Por exemplo, um senhor que veio oferecer-se como voluntário. Tinhas 83 anos. Foir recebido pelo chefe dos voluntários que lhe explicou que o que podia fazer era trabalho de armazém. Ele disse quen aceitava e, no final telefonou à mulher e disse-lhe: "QUERIDA FUI ACEITE!" Com 83 anos tinha sido aceite nalguma coisa. É este reconhecimento de que o trabalho pode fazer a diferença que é a motivação dos voluntários.




.... Até já!

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